DEMITIDOS DO BB

Comentários, depoimentos, sugestões e propostas sobre as demissões abusivas de milhares de funcionários do Banco do Brasil, os Demitidos do BB, visando a reintegração ao BB, restituição da PREVI e reabilitação à CASSI, CAPEC e CARIM.

10/11/08

SALÁRIOS DE MARAJÁS? PRIVILEGIADOS E VAGABUNDOS?

MARAJÁS, PRIVILEGIADOS E VAGABUNDOS?

Os programas de demissões voluntárias ou incentivadas foram, na verdade, demissões abusivas. O referencial de sucesso de programa de demissão voluntária, o PDV do BB, cruel e funesto, concebido “demitir para roubar” degenerou  “enxugar e matar”, não foi só PDV.

Houve um PLANO, alcunhamos de PRIVAR (privar emprego, plano de saúde, seguro, moradia, aposentadoria, sonhos, vida), meticulosamente planejado e criminosamente executado. Contrataram empresas com notório saber em demissões, recrutaram mercenários, doutores em psicologia, relações públicas e comunicação, mestres em legislação trabalhista e legislação de previdência complementar, participou a equipe econômica de FHC, ajuda especial de alguns colegas colaboracionistas, e nomeação de diretoria submissa e cúmplice no BB. Muito importante, recursos do “empréstimo” da PREVI ao BB, 900 MILHÕES do nosso próprio dinheiro Também foi necessária a divulgação pela mídia paga, financiamentos renovados, formaram quadrilha que tudo fez para, primeiro destruir nossa imagem perante a sociedade, segundo executar a demissão e apropriação indébita, consequente enxugamento e matança, terceiro, mentir para a opinião pública da nossa suposta felicidade, indenizações milionárias, etc.

Leiam trechos do livro do Jornalista Aloysio Biondi (falecido em 2000) - “O Brasil Privatizado” - Fundação Perseu Abramo: “A desmoralização do Banco do Brasil perante a opinião pública foi uma das “operações de manipulação” mais maquiavelicamente montadas pelo governo FHC. Em entrevista coletiva, com a presença de vários ministros, anunciou-se um prejuízo recorde para o Banco do Brasil, previsto para 6 bilhões de reais somente no primeiro semestre de 1996, e a necessidade de o governo injetar 8 bilhões de reais no banco, para que ele se enquadrasse nas normas em vigor em todo o mundo. Qual a verdade? A equipe econômica “fabricou” o prejuízo. Decidiu lançar como dinheiro perdido no balanço do BB todo e qualquer empréstimo em atraso, mesmo que este atraso fosse de apenas um dia. Qual a manobra? Pelas regras do Banco Central do Brasil (BC), somente devem ser considerados “créditos de liquidação duvidosa” os empréstimos já vencidos e não pagos há mais de dois meses… A equipe, repita-se, lançou como prejuízos empréstimos com até um dia de atraso… Não se contentou com isso. Meses mais tarde, resolveu lançar como prejuízo, falsificando novamente os balanços do Banco do Brasil, até mesmo os créditos ainda não vencidos, isto é, obviamente sem atraso – mas que podiam ser considerados (pela equipe econômica…) de “má qualidade”, isto é, que “talvez, quem sabe, não venham a ser pagos…”. Além disso, mesmo com os prejuízos “inventados”, o Banco do Brasil poderia apresentar lucros naqueles balanços. Como assim? Naquele mesmo momento da operação “destruição do BB”, o governo federal devia nada menos de 7,2 bilhões de reais ao banco, relativos a apenas duas operações (isto é, sem relembrar outras): 5,5 bilhões de títulos da dívida externa que o BB havia sido obrigado a comprar, já vencidos, e 1,7 bilhão de reais em títulos federais, utilizados por grupos privados para “comprar” a Acesita, siderúrgica que “pertencia ao BB” e deveria, portanto, ter recebido o dinheiro ou os papéis, que, no entanto, ficaram para o governo”.

EMBORA TODAS ESSAS MENTIRAS, FHC NÃO CONSEGUIU PRIVATIZAR O BB, PORQUE A SOCIEDADE NÃO PERMITIU.

Aloysio Biondi: Mesmo assim, em contradição total, o governo Fernando Henrique Cardoso insiste na privatização dos bancos estaduais e prepara a privatização do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF). Houve uma tentativa, do próprio presidente da República, de negar esses planos. Mas ele foi vexatoriamente desmentido pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Michel Camdessus, que cometeu a inconfidência – em reunião com banqueiros internacionais – de anunciar as privatizações da CEF e do BB (uma inconfidência explicável: Camdessus quis mostrar aos banqueiros internacionais que o governo FHC obedece às ordens do FMI, para convencê-los a restabelecer o crédito para o Brasil…). Mais uma vez, para conquistar apoio da opinião pública à privatização, o governo alega que o Banco do Brasil e o Banespa estão “quebrados”, os demais bancos estaduais idem, e que a Caixa Econômica Federal apresenta elevados índices de inadimplência nos contratos habitacionais, “exigindo uma administração não sujeita a influências políticas” etc. Tudo falsificação da verdade”.

Objetivando privatização, também por vingança política, insistiam na intriga ”marajás e vagabundos”, igual o defenestrado Collor. Mais trechos de Aloysio Biondi: “O mesmo raciocínio se aplica aos célebres “marajás”, existentes também entre os aposentados, funcionários ou não. Sabe-se que são casos excepcionais, um número mínimo em relação ao total de funcionários da máquina governamental ou das estatais, e resultantes de brechas da lei – ou de abusos, em fases de administração “permissiva”. A ofensiva contra os pretensos “marajás” registrou episódios cômicos, e bastante ilustrativos da falsidade dos argumentos do governo. No começo do governo FHC, chegada a hora de formar a equipe de técnicos de determinado nível para a máquina oficial, “descobriu-se” ser impossível recrutá-los porque os salários na área oficial eram muitíssimo inferiores aos pagos por empresas privadas. O governo decidiu então criar cargos de assessores especiais, com salários diferenciados e, para não ser acusado de estar criando “marajás”, mexeu como sempre os seus pauzinhos. Entregou a uma revista de circulação nacional tabelas e informações sobre salários governamentais, comparados com os salários, para as mesmas funções, pagos por bancos e empresas privadas, com diferenças, para mais, de 100% a 200%. A revista não teve dúvidas: divulgou o material em página dupla. Mas revista e governo foram incapazes de reconhecer, para o público, que a existência de marajás é uma exceção, e que o funcionalismo é, em sua imensa maioria, pessimamente remunerado.

Demitidos, ISTO É tragicômico, não? VEJA, que revista foi esta?

Soubemos que o “colega” Maílson mostrou à sociedade sua FOPAG, seu espelho, seríamos marajás, iludiu a sociedade, mas os proventos que recebia, não sabemos se merecidos, era muito dinheiro, salário polpudo, muito maior do que os nossos salários. Se o Maílson mostrou a FOPAG dele para iludir a sociedade, também mostro meus proventos para restabelecer a verdade:

Leandro Schmaedeke - Matr.: 6.173.850-6, 18 anos de BB, posto efetivo, caixa, fiscal, auxiliar, supervisor, gerex , elegível, disponível em 1995, redução de quadro na agência - DRH030 - Direcionamento de Recursos Humanos - programa que “direcionou” milhares à rua.

Salário líquido do “marajá” de 18 anos de BB: R$ 1.359,62

Horário do “vagabundo”, manhã à noite, muitas vezes sem hora extra, “privilegiado” com indenização trabalhista, horas extras, após 11 anos da demissão e de espera.

 

Mais cedo ou mais tarde quem zomba dos outros será julgado, e quem não tem juízo será castigado. (Provérbios: 19.29).

4 Comentários »

  1. Amigo Leandro,

    Sem comentários. Falta coragem para comentar. O passado volta como alma penada. O fim do sonho da rapaziada da década de 70 dói demais.
    É melhor eu ir dormir. Amanhã é outro dia e eu e tu sabemos o que poderá vir.
    Boa noite.

    Comentário por ARY TAUNAY FILHO — segunda-feira, 10 de novembro de 2008 @ 23:44:46

  2. Oi amigo,

    É arrasador descobrir a cada dia que passa, a maneira vil e inescrupulosa com que fomos atingidos. Pena que o Aloysio Biondi e tantos outros colegas não estarão juntos à nós, para a grande comemoração da nossa VITÓRIA.

    Comentário por Angela — terça-feira, 11 de novembro de 2008 @ 20:36:00

  3. Amigos Angela e Ary,

    Grato pelos comentários, vocês entenderam tudo e, em poucas palavras, disseram tudo.

    Vileza, falta de escrúpulos, passado penoso que se torna presente e nos faz sofrer novamente, toda uma geração de trabalhadores atingida, falecimentos de colegas e amigos.

    Porém, ambos falam de preparação para a luta, de mais luta e VITÓRIA.

    Temos repetido, nossas histórias, nossas descobertas, nossas constatações, tudo isso quando vemos, lembramos e lemos, se assemelha a, perdoem as expressões, “descascar as feridas”, “esfregar sal nas feridas” e “expor e abrir as cicatrizes”.

    Também repetimos, infeliz ou felizmente, nossos sofrimentos e aflições, comprovados, documentados servirão para restaurarmos nossos direitos.

    Ninguém consegue recuperar alguma coisa se não souber e contar tudo, como foi, quem, quando, de que forma, quais as causas e consequências, seja ao tribunal, às autoridades ou à sociedade. Cada vez mais estamos descobrindo toda a verdade, e a verdade nos restaurará.

    “O Senhor Deus detesta os mentirosos, porém ama os que dizem a verdade”. (Provérbios: 12.22)

    Comentário por LEANDRO SCHMAEDEKE — quarta-feira, 12 de novembro de 2008 @ 02:15:18

  4. Caro Leandro,
    “Expor e abrir as cicatrizes”, é isso mesmo, mas como dói.
    Quando o Maílson mostrou a fopag dele para a imprensa, nosso espanto foi imenso, pois, desde minha posse no banco, nós tínhamos recomendação de não abrir nossos salários pra sociedade. Era algo como indisciplina. A atitude dele foi com o objetivo de desmolarizar o funcionalismo. Já estava tudo armado. O pior de tudo é que ele conseguiu. Não lembro os proventos dele, mas os meus proventos de posto efetivo, sem horas extras…

    Comentário por Maria das Graças Faria Coelho — quarta-feira, 12 de novembro de 2008 @ 07:44:19

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