25/10/08
SOMOS DEMITIDOS DO BB - Canto de protesto - III

Somos excluídos da nação, política e cruel perseguição,
temos nossa história prá contar, toda a verdade restaurar.
Disseram ser momento das privatizações,
da modernidade, de muitas demissões,
porque não votamos nesta enrolação,
direitos negados, regime de exceção
Não votamos nos neoliberais, pois eram defensores do deus mercado, das privatizações e demissões, então, por vingança política e outras causas econômicas ignóbeis, fomos demitidos do BB, excluídos social e economicamente da nação.
FHC e seus prepostos continuaram demitindo, alterando, aviltando a legislação trabalhista e de previdência complementar, até alteraram a Constituição para restringir nossos direitos, perseguição política que culminou na nomeação de ministros dos tribunais superiores, os quais retribuíram os cargos recebidos negando, de forma humilhante, nossos direitos.
Execrável regime de exceção, vários direitos humanos, constitucionais negados, até o direito à Justiça. Restamos mortos-vivos que gostariam de ver enterrados. Sobreviventes, temos muitas histórias para contar e assim toda a verdade restaurar. Desde que surgiram os tempos neoliberais, imediatamente após as eleições tomaram medidas e decisões que não haviam revelado nas campanhas políticas, enganaram o povo, decidiram conforme seus interesses e dos financiadores de campanha, pela privatização das estatais, venda a preço de banana do patrimônio público.
Iludiram, falaram de modernidade, enquanto processavam antigas artimanhas, corrupção, enriquecimento ilícito, roubo. Para vender as estatais, precisavam deixá-las enxutas, privatizáveis. Mas, essas empresas estatais tinham compromissos trabalhistas e previdenciários com seus funcionários mais antigos, pagamento dos salários integrais na aposentadoria por conta da empresa, passivo que nenhum "investidor" haveria de comprar. Esses funcionários mais antigos, detentores de altos salários, não haviam "aderido" aos fundos de pensão, preferiram o compromisso da estatal e do governo.
A solução fácil de ambos os problemas foi exposta nas primeiras ações do governo de FHC, demitir tantos funcionários quanto fosse necessário para cobrir o passivo ou déficit de cada estatal ou fundo, através da "fórmula" demitir para roubar. Demitiram mais de 300 mil funcionários, apropriaram-se das aposentadorias dos demitidos, roubaram de cada um, média de 100 mil reais, saldo da pilhagem que poderíamos alcunhar de PRIVAR, 30 BILHÕES DE REAIS, assim sanearem financeiramente estatais e fundos de pensão.
Paradoxalmente, ao negar o resgate das cotas patronais devidas aos demitidos, SONEGARAM OITO BILHÕES E DUZENTOS E CINQUENTA MILHÕES DE REAIS AO POVO BRASILEIRO, IMPOSTO DE RENDA previsto na Lei 7713/88, de 27,5% sobre o valor de resgate das contribuições patronais. Roubaram os trabalhadores demitidos e também roubaram o povo brasileiro. Naqueles fundos de pensão onde o rombo era muito grande, o próprio governo federal ou estadual assumiu o prejuízo ou o pagamento dos participantes mais antigos.
No Banco do Brasil, o objetivo e compromisso do governo FHC assumido com a banca internacional era privatizar, porém, não havia unanimidade na sociedade nem no partido do governo, alguns políticos fazendeiros e empresários queriam mamar muito mais nas tetas generosas do BB. Tentaram de tudo para convencer a sociedade da necessidade de privatizar o BB, forçaram situação de prejuízo, operações vencidas há um dia consideraram inadimplentes, prejuízo. Chegaram ao cúmulo de considerar prejuízo também aquelas operações ainda vincendas, mas que os videntes de FHC no BB "suspeitavam" que não seriam pagas.
Na verdade, o maior devedor inadimplente do BB era o próprio governo, devia por serviços bancários prestados à União, pela integralização de juros e correção monetária subsidiados, mas o governo não queria pagar, queria vender o BB, este era seu compromisso. E aos recursos devidos ao BB deram outro destino, doaram aos banqueiros através do PROER, 30 BILHÕES DE REAIS, vaticinaram "risco sistêmico".
Nós, então funcionários do BB que não votamos nem concordamos com tudo isto, que pela dedicação e trabalho superamos todas as metas de todas as campanhas de captação ou de regularização de dividas impostas pelo BB, não tivemos a mesma sorte ou defensores que tiveram o BB e a PREVI. Fecharam centenas de agências, quase todos os CESEC’s, e através dum programa de Direcionamento de Recursos Humanos - DRH030 -, extinguiram milhares de postos de trabalho, cargos e funções.
Expostos pela irresponsabilidade de associações de funcionários que somente defenderam BB e PREVI, abandonados pelas entidades sindicais, esquecidos pelos políticos, estávamos inocentes e indefesos à sanha política e econômica, fomos demitidos roubados. Acabou a era FHC, a vingança e o ódio geraram oito milhões de desempregados em oito anos que quase quebraram o país. O candidato Lula percebeu a maior falha de FHC, as demissões e consequente desemprego, disso aproveitou-se, prometeu empregos. Votamos, assim como havíamos votado em 1994 e 1998, em Lula, ele venceu, aguardamos a nossa redenção. Porém, os políticos do partido e o presidente que confiávamos e que elegemos nos traíram, não quiseram saber dos nossos problemas, nossas histórias, ignoraram-nos, excluíram-nos novamente. Surpreenderam-nos até, porque o PT e o governo Lula agiram contra nossas únicas e miúdas conquistas judiciais, a esmola da súmula 289 do STJ - "A RESTITUIÇÃO das parcelas pagas a plano de previdência privada deve ser objeto de correção plena" - e a migalha da súmula 321 - ”O Código de Defesa do Consumidor é aplicável à relação jurídica entre a entidade de previdência privada e seus participantes”.
Nossos traidores emitiram longos pareceres, fizeram visitas ao STF, tudo para, imoral, inconstitucional e criminosamente, mentir e intrigar, alterar e aviltar decisões judiciais, em favor dos interesses dos fundos de pensão e contra os direitos dos demitidos. Disseram mais, insinuaram que estávamos pretendendo enriquecimento ilícito, confrontaram-nos com os participantes e assistidos que pagariam a conta: “Eles é que terão essa responsabilidade, portanto não me parece correto manter essas súmulas”, disse Luiz Marinho.
ISTO TUDO DISSERAM E FIZERAM SABENDO DOS SUPERÁVITES BILIONÁRIOS DA PREVI, "SÓ" 53 BILHÕES DE REAIS EM 2007.
Atônitos, descrentes, enojados até, percebemos, mais uma vez, perseguição política e regime de exceção do governo Lula e seu partido. Mais seis anos se passaram, agora traídos pelos políticos em quem confiávamos, lembramos que fomos demitidos também por causa do nosso voto, aberto e divulgado irresponsavelmente pela ANABB (1994), em favor de Lula (47% das nossas intenções de voto).
Diante deste quadro tão obscuro, só nos restou continuar lutando, já sabemos quem são os inimigos e os judas, persistiu a confiança e esperança em Deus, também na união dos demitidos, na divulgação da verdade e no povo brasileiro para obtermos nossa justiça, a reintegração e restituição dos direitos usurpados.
"Quando a nação tem líderes inteligentes e sensatos, ela se torna forte e firme; mas, quando a nação peca, ela muda de governo a cada hora". (Provérbios: 28.2)
criado por schmaedeke
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