DEMITIDOS DO BB

Comentários, depoimentos, sugestões e propostas sobre as demissões abusivas de milhares de funcionários do Banco do Brasil, os Demitidos do BB, visando a reintegração ao BB, restituição da PREVI e reabilitação à CASSI, CAPEC e CARIM.

14/10/08

AÇÃO POLÍTICA DOS DEMITIDOS - MENSAGEM AO SENADO

 

O Senado Federal celebra, 16/10/2008, os 200 anos do Banco do Brasil. Para marcar presença na comemoração, o Colega Demitido do BB João Batista enviou, a todos os Senadores da República, esta mensagem:  

            

Uma mancha na história dos 200 anos do Banco do Brasil

       Juntamente com mais de 43.000 outros funcionários do BB, fui vítima de uma manobra muito bem orquestrada que me botou para fora da empresa em que trabalhei desde 1977. Um plano maquiavélico que começou com o “quanto pior, melhor”: achatamento salarial, endividamento do quadro de pessoal, projeto de Qualidade Total que só fez evidenciar a “paranóia” que vivíamos na época e, principalmente, assédio moral - figura hedionda que só recentemente foi sistematizada e conhecida como tal.

       Assim como na admissão a opção pela PREVI era “obrigatória”, condição sine qua non para a posse; muitos ficaram entre a “opção de aderir ao PDV” ou ser transferido à força para outras cidades. Imaginem os dramas advindos de uma transferência não desejada, não planejada e imediata. E a família, como ficava? Separada, dividida pelos mentores do PDV. O resultado do PDV de 1995, o mais “bem sucedido” da história do Brasil foi um quadro funesto: 28 suicídios, muitas famílias desfeitas, traumas, depressão, mais mortes e suicídios decorrentes das doenças e da depressão, e… uma injeção de mais de 11 BILHÕES DE REAIS nos cofres da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI - valor do superávit de 1997! Dinheiro nosso apropriado indevidamente pelo fundo de pensão, nossos salários indiretos, poupança, aposentadoria, direitos usurpados que o Poder Judiciário, influenciado pelo poder econômico e poder político da época, e diante da situação inédita, optou pelo lado mais forte e mais bem assessorado. Um plano “magistral” que até pode ter salvado o BB da bancarrota naquele fatídico ano de 1997 – ficamos até “honrados” em termos sido usados para tão “nobre” objetivo! Sacrificados no altar das demissões, em honra ao “deus mercado”. Traduzo: foi criminoso, demissão arbitrária e abusiva para apropriação indébita.

Mas, agora, peço que deixem de nos tratar como “águas passadas”, “cartas fora do baralho” e alegarem que aderimos ao PDV conscientes dos seus termos. Fala-se muito hoje em assédio moral, aquilo foi um “terrorismo” moral e covarde porque feito de forma que não desse tempo das classes representativas dos funcionários reagir – uma mancha negra na história do Banco que me formou como cidadão desde os meus 14 anos, menor-aprendiz e, não somente me descartou – juntamente com outros milhares – mas, principalmente, reteve o que era meu desde minha posse na carreira administrativa, 10.08.1980, até minha saída, 31.07.1995.

Se o Banco do Brasil pretendia diminuir seus custos com pessoal e “adequar-se à situação da economia naquele momento” por que não o fez por intermédio de aposentadoria incentivada e não demissão? Por que não apresentou em 1995 o mesmo programa oferecido a partir de dezembro/1997, onde o funcionário desligado receberia por 10 anos a devolução de 80% do total de seu fundo de pensão, incluindo contribuições pessoais e patronais? Por que os 43.000 demitidos entre 95 e 97 não receberam as cotas patronais, os salários indiretos ou de aposentadoria? Muitos poderão responder: “Porque não havia previsão estatutária para tal”. Mas, então por que o estatuto foi alterado em dez/97 permitindo o saque da cota patronal? Respondo, havia previsão legal, desde a Lei 6435/77 e o Decreto 81240/78, para o “resgate das contribuições saldadas dos participantes”, ou para o “resgate das contribuições vertidas pela empresa e respectivo empregado”, porque as “contribuições do empregador, o BB, são rendimentos de pessoa física pagos pelo BB à PREVI em favor do empregado (Lei 7713/88)”. Portanto, a Legislação de Previdência Complementar foi aviltada, ignorada no estatuto imoral e ilegal da PREVI.

Melhor resposta? Ela é bem menos grosseira quanto a nossa situação nestes últimos 13 anos: Demitiram-nos para nos roubar. É roubo mesmo, não é furto não! Foi com violência sim, armados do poder econômico, da mentira, do terror e da tortura psicológica; não usaram a violência física convencional, mas aquela que se dilui no tempo e deixa marcas indeléveis de impotência diante da “máquina”, igual ao personagem de Kafka no “Processo”. Fomos enganados com maestria e nos tratam como se nós não existíssemos, nos querem ignorados, mortos e enterrados. A indiferença é um silêncio maldoso, porque traz em si há uma culpa.

A história registra uma relação incestuosa entre a PREVI e seu principal patrocinador, o “ducentenário Banco do Brasil”, haja vista o polêmico acerto entre eles no ano de 1997. Hoje, em que pese a crise internacional que reflete diretamente nas bolsas de valores, a PREVI está com um superávit de mais de 50 BILHÕES DE REAIS! E sabemos que esta crise vai passar, afinal, o mundo não vi acabar já. Quem se beneficia e sempre se beneficiou deste “cassino mundial” não vai permitir que isto aconteça. As razões são óbvias!

Ainda que se desconte o reflexo da crise, equivale ao PIB de uma centena de países! Pois bem, por que não resgatar a dignidade de milhares de ex-participantes com a restituição (não é devolução!) do que é devido a eles mediante, por exemplo, um plano de aposentadoria?
O inesperado aconteceu. Numa pesquisa entre os funcionários da ATIVA do Banco do Brasil e aposentados da PREVI, os participantes e assistidos do plano de benefícios: 54% dos associados da PREVI concordaram que os ex-funcionários (demitidos no PDV, PAQ e demissões arbitrárias) fazem jus aos 2/3 que a PREVI reteve como, diríamos brandamente, um empréstimo compulsório! Há de se ressaltar que os Demitidos do BB não participaram da referida votação. A opção que nos faria justiça é a nona numa escala de dez. Socorro! A última reunião para definir o destino do superávit foi no dia 2 de outubro.

Mas aí, neste interstício, exatamente no dia 29 de setembro pp, o Conselho de Gestão de Previdência Complementar emitiu a resolução 26, publicada no DOU em 1 de outubro – “uma verdadeira pérola” que vai de encontro a Lei Complementar 109/2001, que atualmente dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar. Referida resolução não resistirá a uma análise de nenhum magistrado de primeira instância! Sem sombra de dúvida, ainda resquícios de um tempo onde “manda quem pode; obedece quem tem juízo”.

Uma nova reunião entre o Banco do Brasil e Comissão Negociadora ficou pré-agendada para o dia 23 de outubro. Todos nós, os demitidos e logrados pelo BB entre os anos de 1995 e 1997, encarecemos à V. Excia. que se interesse pelo nosso drama e participe do resgate não somente dos valores que nos foi subtraído e que faz, indubitavelmente, parte deste “bolo” da Previ; mas, principalmente, do resgate de nossa dignidade como chefes de famílias e cidadãos deste país tão carente de justiça em alguns momentos de sua história!

       Escrevo minha, nossa história ao ilustre representante de nossa gente, porque teimo em acreditar em nossos políticos. Não me arrependerei… também creio nisto!

João Batista Dutra Capaz
Identidade: M…. SSP…..
T.E.: ……. Mais informações: http://demitidosdobb.blog.terra.com.br/

12 Comentários »

  1. PARABÉNS JOÃO BATISTA,o que voce disse é pura verdade, e agradeço-lhe por me representar junto às autoridades ao enviar uma carta com este teor.

    Comentário por ANTONIO DE PADUA LUCENA DE OLIVEIRA — quarta-feira, 15 de outubro de 2008 @ 09:22:57

  2. João Batista, ao ler tudo o que vc escreveu,senti toda aquela dor lá pelos anos de 1995. Eu também agradeço por nos representar junto às autorizadades. Siga em frente amigo e com Deus

    Comentário por beatriz maria — quarta-feira, 15 de outubro de 2008 @ 21:03:32

  3. Ao nobre colega João Batista Dutra Capaz.
    Parabéns e obrigado por nos representar tão bem junto ao Senado. Esta também deverá ser entregue aos deputados , ministros e todas as autoridades desta grande Nação e em todos os locais onde o Banco comemorar os 200 anos.( sugestão)
    othon

    Comentário por othon f freitas — quinta-feira, 16 de outubro de 2008 @ 08:41:50

  4. Caro Colega João Batista,

    Parabéns pela iniciativa. Surpresa! A celebração dos 200 anos do BB, prevista para esta tarde no Senado, foi adiada!

    Seria justo dizermos que tal decisão dos senadores ocorreu pela recepção da tua mensagem, ficaram emocionados e sensibilizados pelo teu expresso conhecimento de causa e sentimento por causa daquela “mancha na história dos 200 anos do Banco do Brasil”. Reagiram, “não vamos homenagear uma instituição com uma história manchada da forma como o Cidadão João Batista gravemente denunciou”.

    Sabemos que não deve ter sido assim, adiaram, possivelmente, por causa da greve dos bancários, dirigentes do BB e senadores não quiseram ficar expostos às galerias, vaias, protestos e reivindicações em altos brados não seriam um bom fundo sonoro para as homenagens ao BB.

    Fica um espaço para nossos colegas demitidos de Brasília, Júlio Barros, João Lopes e outros tantos colegas, porque algum dia, depois da greve, eles celebrarão os 200 anos do BB, daí, se vocês quiserem, talvez caiba um protesto dos demitidos “À La Othon Freitas”, ou outro visual, nas galerias do Senado.

    Isso tudo é o que acontece, pode acontecer quando políticos e dirigentes insensatos, do passado e do presente, sem dignidade e humanidade escolhem e apoiam prepostos que administram, da forma como sentimos e vimos, uma instituição que já teve o nosso respeito e dedicação.

    Gostaria de saber como foi tua percepção da recepção das mensagens, se os assessores dos senadores leram, responderam ou jogaram na lixeira?

    “O mensageiro perverso causa a desgraça, mas o de confiança traz a paz” (Provérbios: 13.17)

    Comentário por LEANDRO SCHMAEDKE — quinta-feira, 16 de outubro de 2008 @ 19:22:13

  5. Caríssimo Leandro,

    O e-mail em questão foi enviado a todos os senadores e, até o presente momento, recebi 36 confirmações do “sistema” onde consta: 23 mensagens lidas e 13 mensagens deletadas sem sequer serem abertas.
    Evidentemente que são assessores que realizam este trabalho. Se pelo uma das 23 lidas até agora chegar às mãos de algum senador, a iniciativa deixará de ter sido tão “quixotesca” quanto inicialmente eu admitia.
    No grupo dos 23 estão: Paulo Renato Paim, Tasso Jereissati, Roseana Sarney, Ideli Salvatti, Neuto de Conto, Gim Argello, Romeu Tuma, Serys Marly, Cristovam Buarque, Geraldo Mesquita, Sérgio Zambiasi, Arthur Virgílio, Gilberto Goellner, Marise de Freitas, Aloizio Mercadante, Osmar Dias, A.C.M Jr., Jarbas Vasconcelos, Paulo Duque, César Borges, Eduardo Azeredo e Renato Casagrande.
    Aproveito a oportunidade para louvar aqui a iniciativa e a dedicação do Ary. Colega persistente e de fibra. Que Deus o cumule de graças!
    Quando toda esta luta for coroada pelo êxito, quem sabe uma reunião nacional lá no sul com um belo churrasco gaúcho, hein?

    Comentário por João Batista Capaz — sexta-feira, 17 de outubro de 2008 @ 06:57:39

  6. Justo. Muito justo. Justíssimo! Porém, esqueceu-se dos demitidos de 1991, que foram mais ainda roubados: só sacaram 50% de 1/3 das contribuições p/ Previ.

    Comentário por Gustavo Mateus - PE — terça-feira, 4 de novembro de 2008 @ 12:58:45

  7. Apesar da condição nós, pedevistas, continuamos colegas e comungamos, João Batista, com você essa palavra objetiva, direta, clara e principalmente verdadeira. Parabéns e que essa lute só termine com a vitória!!
    Aniceta

    Comentário por Maria Aniceta da Silva Asevêdo — terça-feira, 4 de novembro de 2008 @ 14:33:21

  8. Tomaram meus 2/3 que hoje representaria cerca de R$ 550.000,00. Sofri todo tipo de pressão para sair do BB além da extinção do meu cargo. Por isso fui obrigado a “aderir” ao PDV de 1995. Fico até doente quando vejo tanta sacanagem que o BB fez com seus funcionários. Fui obrigado a vender meu único imóvel, na época, para inteirar o “incentivo” que o BB me pagou para “aderir” ao seu nefasto PDV. Parabéns João Batista.

    Comentário por Marcio — terça-feira, 4 de novembro de 2008 @ 14:44:39

  9. Leandro e Ary.

    Este achado é a prova cabal de fomos furtados. Não teria melhor presente de Natal! Devemos bater à porta do Ministério Público Federal e denunciar os gatunos! Isto é um crime de lesa-trabalhadores! É um prato cheio para a Imprensa, que adora escândalos. Busquemos todos os meios para que isto chegue ao conhecimento dos brasileiros. Ninguém merece passar a vida toda amealhando suada reserva e ser roubado cinicamente, como estes crápulas estão fazendo. Parabéns!

    Abraço / Gustavo Mateus - PE

    Comentário por GUSTAVO MATEUS - PE — terça-feira, 23 de dezembro de 2008 @ 04:43:41

  10. Colega João Batista,

    Lendo sua mensagem enviada aos Senadores da República, quero parabenizá-lo, pois retrata tudo que nós passamos e ao mesmo tempo nos dar uma esperança, que os nobres políticos b rasileiros façam justiça.

    Abraços,

    Aberaldo Artur.

    Comentário por Aberaldo Artur Alencar Ribeiro — sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 @ 09:13:05

  11. Caríssimo colega, foi uma agradável surpresa encontrar esse blog e seu conteúdo!

    Os que passaram pelo “moedor de carne’ que foi o BB nas décadas de 80 e 90 com toda a certeza endossam todas as tuas palavras.

    Não sei se procurara no lugar errado, mas não encontrei nada mais recente a respeito da extensão do amparo previdenciário da PREVI aos colegas oriundos do PDV. Você poderia me indicar material mais atualizado a respeito?

    Abraço fraternal

    schmaedeke

    schmaedeke Reply:

    Colega Irani Maciel,

    Confesso, não entendi sua dúvida sobre não encontrar “nada mais recente a respeito da extensão do amparo previdenciário da PREVI ao colegas oriundos do PDV”???
    Não existe este material, porque não houve nenhum amparo previdenciário aos colegas demitidos do BB por parte da PREVI, muito menos por parte do BB, inclusive promessas de apoio tecnológico e financeiro não foram cumpridas.
    Porque as demissões, nos PDI, PDV, PAQ ou PNB foram abusivas e criminosas, enxugaram e mataram, demitiram para roubar as aposentadorias, com este roubo, pilhagem, quitaram a dívida trabalhista e previdenciária do BB e do Governo, foi “só” isto o motivo das demissões.
    Os métodos nazistas e maquiavélicos empregados para executar as demissões foram mentiras, ilusões, torturas, pânico, terror, ameaças, enfim, crimes. Terrível genocídio e desumanidade.

    Abraço/Leandro

    Comentário por Irani Maciel — sexta-feira, 11 de setembro de 2009 @ 11:25:45

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